tempo solidão criança tradição parto família saúde mental loucura fome avó gravidez isolamento amor migração fecundação diversão lesbianidade cozinha psicanálise amas-de-leite segredo enlouquecimento pânico poesia marginal raiva acidente casa abuso fragilidade coletividade descoberta babás palavra dissidente contracepção silêncio sexismo mãe-terra violência choro marginália escuta desespero depressão orgasmo gênero sexo escrita-dos-dias travesti transição encantamento crueldade livro envelhecimento fertilidade desilusão dinheiro trabalho lei doença desencontro desamor não-maternidade utopia escrita casamento menstruação acolhimento infância criação saudade inter-racialidade lgbtqia+ exílio amamentação resiliência frustração masturbação dança confinamento falta vícios afeto insegurança ressentimento corpo sagrado puerpério angústia leitura rotina cuidado guarda-compartilhada educação identidade hormônios aprendizado sonho ausência futuro feminismo amadurecimento prostituição culpa rigidez brincadeira com-a-maré coragem artes visuais herança humilhação adoção relacionamento empoderamento escravidão desejar-é-revide umbanda mãe-solo morte irmãos subjetividade terra-grávida luto cotidiano memória luta carta sexualidade descendência resistência desejo deficiência línguamãe tarefa linguagem exaustão distância candomblé domésticas dupla-maternidade ritual mulher-negra diário separação desencanto racismo dissidência câncer abandono adolescência apego cansaço colo desamparo pertencimento ancestralidade aleitamento amizade ciúme medo comemoração hospital aborto conexão pandemia prazer intimidade transgeneridade medicina conflito desmame nascimento segundo filho autocuidado alegria desmistificação ruptura suicídio independência submissão contínua dignidade expectativa individualidade maternidade atípica dor oração vínculo velhice
  • .: Maternidade indígena

    Maternidade indígena

    Márcia Mura
    N.197 | 2025

    Mãe da nação com o corpo/espírito/território violado.
    Antes dos invasores, risos com os curumins e cunhantãs banhando-se nos rios, lagos, igarapés, fazendo roçado e coleta na floresta, nas campinas, nos cerrados, nos lavrados, ensinando a pedir licença para a mãe dos lugares sagrados.
    Maternidade indígena com direito a parto tradicional.
    Maternidade indígena no hospital é direito violado e apagamento colonial que se impõe. Registro oficial?
    Pardo.

  • .: Essência Divina

    Essência Divina

    Lucia Tucuju
    N.196 | 2025

    Mulher, flor que enfeita a vida
    natureza pura e pulsante
    raiz da terra que frutifica.
    Ventre sagrado só ela tem
    de suas entranhas nasce o ser.
    Raízes que fincam no chão
    seu leite alimenta e fortalece.
    Maternidade é força divina,
    dom que só à mulher é concedido.

  • .: Ary 

    Ary 

    Janaú
    N.195 | 2025

    o futuro cabia nas minhas mãos
    ele andava atrás de mim
    o passado ia na frente
    desenhando dilúvios

    as rochas testemunhando
    o desenrolar dos milênios
    l e n t a m e n te
    o horizonte com todos os tipos
    de aves migrando
    para o despertar
    que não é nada
    nada de novo

  • .: Maternidade wapichana

    Maternidade wapichana

    Jama Peres Pereira
    N.194 | 2025

    A maternidade para a mulher wapichana acontece entre regras e tradições, o que garante um caminho saudável para gestar e criar seus filhos.

    Escrevo aqui as memórias que trago desde a infância, de como vi minha mãe wapichana cuidar da sua maternidade, sempre acompanhada pela família. Mesmo com os trabalhos árduos do dia a dia, ela cuidava do seu corpo e da sua gestação. Observava atentamente a higiene, a alimentação e todos os rituais que envolviam o nascimento de cada um dos meus irmãos. Desde pequenos, ela nos transmitia os ensinamentos que aprendeu com nossas avós.

  • .: Sombras do parto

    Sombras do parto

    Gleyccielli Nonato Guató
    N.193 | 2025

    Quando uma mulher dá à luz, seu corpo se quebra em milhares de pedaços.
    Seu coração salta bombardeando sentimentos, ainda… às vezes… e talvez… obscuros.
    Incompreendidos. Bons e ruins.
    O que mais lhe causa medo é a insegurança.
    A certeza de que a partir daquele dia
    tudo estará incerto.
    Mil e uma coisas passam por nossas mentes, mas a dor não deixa.
    Só a dor ocupa o lugar de destaque.
    Só a dor te faz viver.
    De repente, um alívio.

  • .: Terra filha

    Terra filha

    Geni Núñez
    N.192 | 2025

    A terra é só mãe?
    Ela também é irmã?
    Também dança, também cansa, também chora e se alegra?
    A terra também é filha?
    A terra cuida, mas também quer cuidado.
    A terra tem um eu, tem uma identidade?
    Tem uma identidade só?
    A terra diz eu sou?
    Tem uma consciência só?
    E se a terra quiser ser só areias, folhas, gotas, sem dar a isso contorno algum? Sentido nenhum? Seria então uma mãe desnaturada?

  • .: Se eu inexistisse

    Se eu inexistisse

    Fernanda Vieira
    N.191 | 2025

    Mãe, eu tentei ficar quieta como me pediram
    Eu silenciei minha presença
    Tentei não fazer volume em nenhum cômodo
    Comi sem fazer barulho e bem rápido, depois que todos comeram
    Brinquei obrigada com filho de patroa, com filha de patroa
    Fiquei em pé, no canto, sem tocar em nada, rezando para ser invisível
    Ignorei os olhares de cima a baixo
    Ignorei as ofensas
    Ignorei as migalhas
    Ignorei os brinquedos quebrados
    Engolia minhas palavras com medo

  • .: Não congelarei óvulos nem expectativas

    Não congelarei óvulos nem expectativas

    Ellen Pirá Wassu
    N.190 | 2025

    te amo tanto criança
    que não te quero
    neste mundo
    apesar de tantos apelos preocupados com
    “quem vai cuidar de você na velhice?”
    ou qual fralda de plástico é mais eficaz
    entre as fraldas de plástico do mercado

    não
    congelarei
    óvulos
    nem
    expectativas

  • .: Brasil

    Brasil

    Eliane Potiguara
    N.189 | 2025

    Que faço com a minha cara de índia?
    E meus cabelos
    E minhas rugas
    E minha história
    E meus segredos?

    Que faço com a minha cara de índia?
    E meus espíritos
    E minha força
    E meu tupã
    E meus círculos?Extraído de Eliane Potiguara. Metade Cara, Metade Máscara. São Paulo: Global, 2004.