suicídio aleitamento abandono feminismo gravidez transgeneridade poesia marginal amas-de-leite menstruação descoberta culpa mãe-terra escuta sonho doença frustração desilusão herança vícios escravidão segredo desespero insegurança prostituição cozinha separação choro afeto migração lesbianidade coragem não-maternidade orgasmo conflito diário livro luta lgbtqia+ mulher-negra coletividade amor inter-racialidade cuidado descendência marginália hormônios candomblé pânico submissão desamor ruptura pandemia fertilidade ritual infância contracepção ausência carta solidão diversão silêncio sexismo casamento identidade raiva lei resistência irmãos oração desejo educação saúde mental tradição subjetividade desencanto ressentimento vínculo casa deficiência resiliência adolescência comemoração dupla-maternidade prazer trabalho desmistificação criança acolhimento artes visuais encantamento desencontro medo guarda-compartilhada rotina luto dor colo umbanda confinamento dança parto com-a-maré tarefa depressão adoção morte desejar-é-revide falta hospital corpo saudade família futuro medicina sexo escrita-dos-dias psicanálise puerpério ciúme pertencimento sagrado individualidade nascimento conexão escrita linguagem amadurecimento alegria brincadeira crueldade isolamento desmame cansaço dinheiro exaustão mãe-solo envelhecimento apego independência distância autocuidado angústia velhice sexualidade travesti câncer expectativa fecundação amizade violência palavra dissidente exílio fragilidade relacionamento acidente intimidade masturbação ancestralidade aprendizado dissidência fome dignidade transição segundo filho babás enlouquecimento cotidiano criação contínua gênero empoderamento línguamãe domésticas utopia loucura leitura aborto abuso humilhação memória tempo terra-grávida maternidade atípica avó desamparo rigidez racismo amamentação
  • .: Jusante, Caroço

    Jusante, Caroço

    Navalha
    N.179 | 2025

    Tem algo crescendo dentro de mim
    Aperta minhas vísceras e
    Toma o espaço por elas ocupado

    Infla, como baiacu
    Expande feito grama no campo
    Alonga desafogado o tal algo

  • .: Fica viva

    Fica viva

    Leíner Hoki
    N.178 | 2025

    eu choro alto eu engasgo
    a minha carne exala e arde
    eu não peço pra parar não queria?
    e se eu morrer queimada tia
    eu vou feder
    com minhas irmãs
    o continente inteiro

  • .: Eu perdi minha mãe na praia

    Eu perdi minha mãe na praia

    Gabriela Conrado
    N.177 | 2025

    sempre fiz o trabalho
    por nós duas
    na construção de nossos castelinhos de areia
    na beira da praia
    era eu que enfiava meus dedos aguados
    entre areia concha sal

  • .: cotidiano

    cotidiano

    Emmanuelle Rosa
    N.176 | 2025

    não tem ninguém esperando no banquinho de cimento na frente do portão
    cotidiana é a saudade de um amor que me levante
    mesmo que a dor seja em outro lugar

  • .: Tempo

    Tempo

    Dara Ayê
    N.175 | 2025

    Às vezes
    eu queria abraçar o tempo
    para que o tempo se acalme.

    Eu
    acostumada a chegar aos lugares
    sempre cedo demais ou tarde demais.
    Nunca a tempo.

    Eu que caminho tarde adentro
    como se estivesse prestes a perder
    o último metrô.

  • .: anti-memória

    anti-memória

    Bruna Stéphane Oliveira
    N.174 | 2025

    saudade do vão da escada onde nunca me sentei a crochetar
    pintar fitar o nada; contar do teto cada ponto mancha vinco.
    saudade. da tinta opaca nunca pegada à parede da sala.
    saudade de cada recado jamais escrito na lousa-casa-não-ter-
    sido. das festas tantas varando a noite e a madrugada anti-
    silêncio anti-lei ou nada. saudades da comida não preparada
    louça-peças-pedaços-nós nunca comprados.

  • .: Garota, mulher, outras [fragmento]

    Garota, mulher, outras [fragmento]

    Bernardine Evaristo
    N.173 | 2025

    elas entraram em cena há sete e três anos, respectivamente, e são mulheres independentes que têm vidas cheias (e filhos) fora do relacionamento com ela

    não são grudentas nem carentes nem ciumentas nem possessivas, e de fato gostam uma da outra, então, sim, às vezes elas se permitem um pequeno ménage à trois

  • .: Ancestralidade feminina

    Ancestralidade feminina

    Bella Bettoni
    N.172 | 2025

    O amor é como um bordado:
    meu nome gravado nas toalhas com as letras cuidadosamente desenhadas,
    o crochê das tias, dedos que dançam para escrever o afeto,
    as roupas costuradas pela avó com os restos dos sacos,
    a bainha da calça feita pela mãe,
    também eu – interessada nas arpilleras hermanas – compro novelos no mercado central.

    Costurar, remendar, cravar no tecido (da pele) a história.

  • .: Re-escrituras para Cintura Fina

    Re-escrituras para Cintura Fina

    Bárbara Macedo
    N.171 | 2025

    É sabido que a imprensa ainda utiliza a lógica transfóbica para se referir a nós, pessoas trans. Nos matando em suas manchetes mesmo quando o corpo já não respira e o sangue já não circula. Mas me chama a atenção a associação de Cintura Fina a uma malandra, já que naquela lista, além de “refinada malandra”, constavam ainda “malandra incorrigível” – que eu acho lindo – e “malandra”. Somente “malandra”.