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  • .: Jusante, Caroço

    Jusante, Caroço

    Navalha
    N.179 | 2025

    Tem algo crescendo dentro de mim
    Aperta minhas vísceras e
    Toma o espaço por elas ocupado

    Infla, como baiacu
    Expande feito grama no campo
    Alonga desafogado o tal algo

  • .: Fica viva

    Fica viva

    Leíner Hoki
    N.178 | 2025

    eu choro alto eu engasgo
    a minha carne exala e arde
    eu não peço pra parar não queria?
    e se eu morrer queimada tia
    eu vou feder
    com minhas irmãs
    o continente inteiro

  • .: Eu perdi minha mãe na praia

    Eu perdi minha mãe na praia

    Gabriela Conrado
    N.177 | 2025

    sempre fiz o trabalho
    por nós duas
    na construção de nossos castelinhos de areia
    na beira da praia
    era eu que enfiava meus dedos aguados
    entre areia concha sal

  • .: cotidiano

    cotidiano

    Emmanuelle Rosa
    N.176 | 2025

    não tem ninguém esperando no banquinho de cimento na frente do portão
    cotidiana é a saudade de um amor que me levante
    mesmo que a dor seja em outro lugar

  • .: Tempo

    Tempo

    Dara Ayê
    N.175 | 2025

    Às vezes
    eu queria abraçar o tempo
    para que o tempo se acalme.

    Eu
    acostumada a chegar aos lugares
    sempre cedo demais ou tarde demais.
    Nunca a tempo.

    Eu que caminho tarde adentro
    como se estivesse prestes a perder
    o último metrô.

  • .: anti-memória

    anti-memória

    Bruna Stéphane Oliveira
    N.174 | 2025

    saudade do vão da escada onde nunca me sentei a crochetar
    pintar fitar o nada; contar do teto cada ponto mancha vinco.
    saudade. da tinta opaca nunca pegada à parede da sala.
    saudade de cada recado jamais escrito na lousa-casa-não-ter-
    sido. das festas tantas varando a noite e a madrugada anti-
    silêncio anti-lei ou nada. saudades da comida não preparada
    louça-peças-pedaços-nós nunca comprados.

  • .: Garota, mulher, outras [fragmento]

    Garota, mulher, outras [fragmento]

    Bernardine Evaristo
    N.173 | 2025

    elas entraram em cena há sete e três anos, respectivamente, e são mulheres independentes que têm vidas cheias (e filhos) fora do relacionamento com ela

    não são grudentas nem carentes nem ciumentas nem possessivas, e de fato gostam uma da outra, então, sim, às vezes elas se permitem um pequeno ménage à trois

  • .: Ancestralidade feminina

    Ancestralidade feminina

    Bella Bettoni
    N.172 | 2025

    O amor é como um bordado:
    meu nome gravado nas toalhas com as letras cuidadosamente desenhadas,
    o crochê das tias, dedos que dançam para escrever o afeto,
    as roupas costuradas pela avó com os restos dos sacos,
    a bainha da calça feita pela mãe,
    também eu – interessada nas arpilleras hermanas – compro novelos no mercado central.

    Costurar, remendar, cravar no tecido (da pele) a história.

  • .: Re-escrituras para Cintura Fina

    Re-escrituras para Cintura Fina

    Bárbara Macedo
    N.171 | 2025

    É sabido que a imprensa ainda utiliza a lógica transfóbica para se referir a nós, pessoas trans. Nos matando em suas manchetes mesmo quando o corpo já não respira e o sangue já não circula. Mas me chama a atenção a associação de Cintura Fina a uma malandra, já que naquela lista, além de “refinada malandra”, constavam ainda “malandra incorrigível” – que eu acho lindo – e “malandra”. Somente “malandra”.