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  • .: Sobre morrer

    Sobre morrer

    Luana de Oliveira
    N. 26 | 2023

    Quantas vezes você já morreu? Minha vó costumava dizer que a gente que é pobre já nasce morrendo. Se for mulher então, aí é que fica pior: nasce culpada e morrendo. Eu cresci com isso martelando na minha cabeça. O que seria pior? A culpa ou a morte? Até hoje, não sei. Na primeira vez que senti a morte, ela veio fantasiada de amor e proteção, talvez por isso tenha conseguido apagar o brilho da alma e cortar a carne.

  • .: Poema para sonhar amanhã

    Poema para sonhar amanhã

    Luana Antunes
    N. 25 | 2023

    A casa dorme, meu filho dorme. Sonha o meu filho? Alinho as palavras tortas na esperança de ver nascer um milagre para mulheres-meninas, mulheres-anciãs, mulheres-passarinhas. Cá dentro, inauguro um tempo infindo, de memória, benção para curar os olhos da guerra,
    Mamãe, Kiev também é aqui?

  • .: Definir-se mãe em tempos de pandemia 

    Definir-se mãe em tempos de pandemia 

    Josinélia Chaves Moreira
    N. 24 | 2023

    No dia 04 de julho de 2017, dois traços vermelhos me enunciavam Mãe. A palavra mãe, ainda em processo, ecoou, rasgou e feriu-me como uma navalha, enquanto tentava não acreditar no que via. Palavras pularam da minha cabeça, me olhando e insistindo em me penalizar, em me asfixiar: camisinha, pílula do dia seguinte, anticoncepcional – tanta coisa e, mesmo assim, fui abraçada pela desinformação?

  • .: Filho

    Filho

    Jeovânia P.
    N. 23 | 2023

    Tendo filho
    Filho não se deixa de ser
    Só não se é mais o centro
    O centro
    O umbigo
    Passa de lado
    Vai para o filho

  • .: Relicário

    Relicário

    Hildália Fernandes
    N. 22 | 2023

    Antes de tudo, deixe-me apresentar-me. Sou a duquesa Labalábá. O nome herdei da bisa e faz referência e presta reverência à Ọya que rege e protege a minha família desde tempos muito antigos, ainda no continente africano. Dela herdamos, também, a coragem, a ousadia, a independência e o trato com a morte. Somos mulheres-búfalo.

  • .: Da dor e do amor

    Da dor e do amor

    Dulci Lima
    N. 21 | 2023

    Nascemos. Em abril de 2013, minha filha e eu nascemos, ela para o mundo e eu como mãe. Nunca almejei ser mãe, não sonhei ter filhos. Gostava mais das brincadeiras de rua e de professora do que de bonecas. Amava mesmo os livros!
    Minha filha foi um acontecimento inesperado, resultado de um amor não correspondido

  • .: Canções puerperais

    Canções puerperais

    Daisy Serena
    N. 20 | 2023

    eu queria escrever uns versos pra matar o tempo, a saudade, a vontade. pra saciar a sede, o desespero, a febre, o silêncio. eu queria escrever umas palavras ainda que soltas, qualquer coisa que me lembrasse que eu ainda tô aqui, aqui, aqui dentro, como eu tô fora, fervendo.
    mas meu filho acordou dez vezes noite passada.

  • .: A ira da filha de cam continua

    A ira da filha de cam continua

    Daisy Serena
    N.19 | 2023

    A ira da filha de cam
    parece perda de palavra
    que
    mucama
    num é quem ama
    é qual a
    mulata
    bicho que se quer
    domesticado

  • .: [O relógio…]

    [O relógio…]

    Barbara Uila
    N.18 | 2023

    O relógio
    seguindo passos de
    antes –
    sufocou feridas.
    Pedaços da renda da
    toalha de mesa embranquecendo
    o assunto do almoço
    o vai e vem de panelas fumegantes
    pra embalar uma fome ancestral